God Mode: OFF

28 28UTC janeiro, 2010 Wolfgang Deixe um comentário

Meus amigos de todos os meus momentos delirantes em que eu ainda consegui escrever alguma coisa, comunico que durante algum tempo eu tive uma onda de megalomania e me achei o dono da cocada, o magnata, a bruxa má da casa de doces. Mas tenho o imenso prazer de informar que eu novamente bati a cabeça e voltei ao normal (se é que ser eu é ser normal, convenhamos), voltarei a tratar a todos como grandes amigos felizes que somos e não mais lhes chamarei de pobres mortais, seus pobres mortais.

Em breve farei um grande apanhado das minhas férias e vocês terão a angústia e o extremo sofrimento de ler minha narração, não esperem piedade vindo de um blogger de final de semana.

Eu normalmente não faço planos, ou melhor, metas de ano novo, mas não resisti e está aí embaixo uma listinha brevemente explicada do que eu planejo fazer com esse blog em 2010 (sei sei, atrasada só um mês…)

1. Aumentar conexões – Ninguém vive numa bolha, planejo fazer associações com outros blogs pra todos sermos uma grande família feliz com milhares de visitantes e muitos comentários revoltados com a ausência de fotos minhas pelado.

2. Postar de maneiras diferentes: Se eu conseguir uma câmera (ouvi um patrocinador??) vou gravar uns

vídeos pra colocar aqui, não pense que eu vou abandonar o texto! O vídeo será um complemento, não o foco. Ah, a câmera servirá para minhas fotuxas também (um ano em Manaus e não tenho UMA foto sequer, sem fotos não há fatos, concordam?).

3. Falar sobre fatos largamente irradiados: Sim, pra quem lê o meu blog desde os tempos do Na Minha Opinião Eu Acho vai identificar o estilo. Antigamente eu falava sobre coisas do meu dia a dia e grandes acontecimentos, nesse blog eu foquei mais para o lado “pessoal que acontece com todo mundo”, sem falar das mazelas da sociedade. Tentarei voltar as raízes sem desfigurar o blog.

4. Ser Honesto: Com o God Mode OFF eu volto a falar de igual pra igual, na prática irei assumir quando praticar os atos por mim comentados. Sim, sim, eu coço o ouvido com o bocal da caneta, mas ainda não coço o saco!

5. Escrever a fenomenal história da origem desse blog totalmente baseada em fatos reais, verdadeiros e perfeitamente verificáveis.

6. Matar algumas coisas do blog, como a aba Murphy. O azar está nos olhos de quem vê, eu ando serelepe demais pra conseguir enxergar qualquer coisa como azar… coração arrebatado, sabe como é.

E por aqui eu vou descendo do buzão, se conseguir cumprir metade desses ideais todos eu me sentirei o blogger mais feliz do mundo =].

Até mais!

Final de Semana No Fim do Mundo

11 11UTC janeiro, 2010 Wolfgang 3 comentários

Olá mais uma vez, meus pequerruchos.
Hoje vou mostrar pra vocês como  foi o meu final de semana, não de maneira “blogger”, que só empilha um monte de fotos, mas usando-as apenas como ilustração deixando o texto como o principal, naturalmente.
Tudo começou com um convite para mais uma vez ser o “fotógrafo oficial especialmente vindo de Manaus para prestigiar o evento” (diriam dessa maneira no Focalizando). A diferença esse ano é que não apenas eu fui convidado, mas toda a família mais uns amigos da mãe da aniversariante… resumindo: a gentalha toda foi.
Assim sendo, não era necessário eu pegar um daqueles carros que fazem o percurso fim do mundo -> fim do fim do mundo (leia-se Itaituba – Trairão), pois meu pai é o feliz proprietário de um dos mais luxuosos veículos que circulam por esta cidadezinha, observe:

Xiii...

Lembram do Delorean?

Partimos então rumo ao Trairão sexta feira a noite, todos jogados em cima da carroceria felizes que nem mosquitos em manga podre. Infelizmente não tenho fotos desse momento de extrema excitação porque até então eu não tinha uma máquina fotográfica em mãos (você leu certo, eu ia tirar as fotos mas nem máquina eu tinha \o/). Mas saibam que foi a meia hora de travessia na balsa de Itaituba-Miritituba mais do balacobaco já vista.
Pois bem, chegando no Trairão nos hospedamos na casa da Valéria, a anfitriã. Vejam abaixo uma fotuxa dela com a aniversariante e o esposo.

Xiiiii

A menina é a cara do pai....

Ah, mas como era gente pra caramba, os “expulsáveis” (leia-se qualquer um que não seja os meus pais e os pais do montoeiro de menino do buchão que foi) foram todos despachados para as casas dos parentes. Eu fui acabar na casa da mãe da Valéria, a Dona Salete. Eu não sei o porquê, mas todos a conhecem como Saletão, vejam a fotinha.

Amélia é o @4&$363! Meu nome agora é Saletão

Tenho agradáveis lembranças daquela noite que passei dormindo em um colchão estirado no chão, com calor porque todos os ventiladores estavam ocupados e acordando de cinco em cinco minutos porque um homem que também estava no aposento sofria de bruxismo e rilhava os dentes tão alto que parecia que estava mascando um balão. Eu citei os mosquitos? Acordei flutuando pela casa, os diabinhos estavam me carregando para o ninho (sim, eram tantos que tinham até ninho).
Continuemos. No sábado passamos o dia todo arrumando o local onde seria a festa. Era em uma escola, escolhida por causa do extenso pátio interno. Uma coisa que observei nos humanos é que eles são capazes de trabalhar muito, muito mesmo, e de graça, se tiver um clima de “mutirão”. Acho que isso remonta às origens pobres de cada um. Basta tocar uma música e começar a carregar cadeira de ferro com propaganda de cerveja que todo mundo fica feliz.
Olha o resultado super-fashion do esforço de um dia inteiro, observem que eu naturalmente estava certo naquele post que fala sobre festa de aniversário:

Reparem no desenho da Moranguinho....

Uma curiosidade sobre minha personalidade: Quando se trata de crianças, eu gosto muito dos meus primos de 4,5,6 anos e brincar com eles. Sério. Mas quando junta uma montanha de menino que parece que saiu de um buraco enlameado eu surto, dá vontade de matar um por um com um martelo, um saco de pregos compridos e uma tábua. Momento psicopata desligado. Qualquer um pensaria dessa maneira depois de ver isso pra brincar na tirolesa (sim, a festa tinha tirolesa, chorem).

Tio: Quem quer morrer primeiro?? Meninos do buchão: Eu! Eu! Eu!

E claro, a tirolesa:

Tio: Menos um pra me aporrinhar...

Eu não sou uma pessoa que gosta de se gabar, isso todos os meus amigos têm em consenso. Entretanto, as vezes é bom amaciar o ego, não é? Vejam essa foto e tirem suas próprias conclusões. Ah, os nomes são Fernanda e Ellen, respectivamente.

Eu sou mesmo irresistível...

E então a festa, graças a Deus, acabou. Fui pra casa dormir, tava acabadaço. Ah! Eu consegui uma câmera, o meu pai tinha levado uma sem me dizer.
No dia seguinte fomos fazer a nossa própria festa, porque, como deve ser sabido por todos que já organizaram uma festa, os únicos que se divertem são os convidados. Nunca me diverti em festa que eu estava envolvido na organização, sempre tem um refrigerante pra servir ou um maldito de um convidado vomitando no chão pra eu limpar.
Enfim, fomos para o fim do fim do mundo, o sítio pertencente aos pais da Valéria. Tirei umas fotos legais por lá, a primeira delas pra vocês terem uma ideia de como é lá está aí embaixo.

Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo....

Vocês podem ver que há um branco além da mata, sim, são as cascatas do fim do mundo. Mas sim, o que se faz num sítio? Come-se, ora bolas. Eu subi num pé de beribá e comi uns por lá… o que eu mais detesto aconteceu: um menino viu que eu tava comendo, chegou perto, me olhou com aqueles olhos pidões e disse:
Tio, sabia que eu gosto de beribá?
Eu olhei lá de cima e arremessei um beribá na cabeça dele, tendo isso resolvido, fui passear no brejo. Sim, brejo! É divertido, sempre tem alguma coisa para se ver e dessa vez não foi diferente:

E no reino das águas claras, o Príncipe Escamado.... Sítio do Pica-Pau amarelo...

Mas eis que tive uma experiência que aconselho a todos aqueles que se consideram homens de “colhões” a terem também. Estava eu passeando pelo brejo (eu sei, incrivelmente gay) quando os beribás finalmente começaram a fazer efeito: minhas tripas pareciam cobras dançando Ragatanga do Rouge, lembra? (GAY GAY). A saída foi procurar uma moita atrás da qual eu pudesse aliviar o ventre.
Encontrei a moita já com o menino quase nascendo. Só houve tempo para baixar as calças e o resto todo ser humano já sabe. Depois de terminado o serviço, olhei para os lados à procura de alguma coisa que pudesse terminar o serviço. Vendo que as folhas do arbusto eram muito  aveludadas, meu senso ancestral apitou dizendo que aquilo dali poderia me causar uma coceira indevida e tracei outra tática.
Levantei as calças e saí andando de pernas abertas à procura de um lugar mais reservado do brejo, porque eu não havia levado outra roupa, então eu teria que tomar banho como vim ao mundo: pelado e muito gato.

Encontrei uma baixada rodeada de mato alto, não pensei duas vezes, tirei a roupa toda de novo e me joguei na água, morrendo de medo de ter algum bicho sondando minha sucuri (Jisuis). Essa experiência serviu como teste de sobrevivência, mais difícil do que passar uma semana largado no mato só com um palito de dente como utensílio pra tudo (vai dizer que andar cagado é mais fácil que isso?).
Não tirei foto do lavatório. Eu sei, foi um erro.
Voltei então para a sede do sítio para o almoço, veja aí como pobre comendo é a coisa mais bela de se observar:

Todos comendo os bolinhos de chuva da Tia Nastácia

Depois do almoço fiquei jogado por lá, muito tranquilo e satisfeito. Afinal, tinha sobrevivido a um dos testes mais difíceis que a natureza já aprontou para o ser humano e estava de barriga cheia de tanta carne de porco e galinha caipira que eu comi. Sabe quando você se deita sem camisa com as mãos atrás da cabeça, debaixo de uma árvore e não tem barulho algum além do vento? Pois é:

Tô com preguiça de escrever alguma coisa aqui

Mas como a alegria de sábios dura pouco, isso acabou rápido, MUITO rápido mesmo. Alguns segundos depois que tirei essa foto, me levantei para ir ao banheiro (dessa vez era só o número um) e enquanto eu passava pelo lado da casa, que é rodeada por uma área grande, fui alvejado com um caroço de jambo direto na minha cabeça. Segundo a autora do disparo, foi sem querer, mas tenho lá minhas suspeitas… Pois bem, tirei uma foto do bendito caroço que me deixou um “”gondó”” na testa.

Projétil usado no atentado à minha inteligência

Depois de ir ao banheiro, já meio fulo da vida. Fui espairecer. Subi em um morro com a câmera e tirei umas fotos de lá de cima, ficaram boas, olha algumas

Looooooooooonge dali habita a civilização

Eu gritei: Montanha baitola! E o eco veio "Athoron Perigon!"

Reparem na gota de suor. Mulherada, contenha-se.

Depois de todas essas peripécias eu voltei pra casa da Valéria, me despedi de todo mundo e voltei pro fim do mundo, que convenhamos, é mais perto do mundo do que o fim do fim do mundo. XD.

Até mais!

Mães querem filhos perfeitos, perfeitamente

5 05UTC janeiro, 2010 Wolfgang Deixe um comentário

Olá meus amiguinhos que querem saber mais verdades sobre a vida! O tio Wolfgang está aqui mais uma vez para mostrar como as coisas são simples e ao mesmo tempo confusas, mas tudo na mais santa simplicidade simplória e simples.
O assunto de hoje é mães, volto a ele porque nem mesmo em uma dissecação longa e detalhada alguém poderia explicar o que se passa nesses cérebros cabulosos que estão nos crânios de vossas mães. Portanto, o assunto está longe de acabar e eu pretendo chegar pelo menos à metade ainda nessa encarnação.
Subam nas suas mulas e saltem as poças de água porque a viagem vai começar…

Vejam os passarinhos voando! Olha só, lembram daquela história do pintinho que não tinha *? Ele morava aqui… hmmm, chegamos.

Uma mulher está sentada debaixo de uma árvore com seu filho. Ao redor uma grama verde bem ensolarada impede que se olhe diretamente para qualquer parte dela. O garoto segura o livro, enquanto a mãe segura um cipó. O menino tenta ler, mas gagueja demais. A mulher perde a paciência:
MULEQUE! LÊ DIREITO SE NÃO EU TE QUEBRO TODO! Berra a mãe dele brandindo o cipó com o rosto desfigurado e pingando saliva na cara do menino.
Tá bom mamãe! Diz o menino se tremendo e se encolhendo tanto que parece uma jaca encostada no tronco da árvore.

Muito bem, vamos deixar os dois aqui e voltemos daqui a alguns dias…
Upa upa cavalinho! Vamos correr pelas colinas relvadas enquanto o tempo passa….

Acredito que tempo o suficiente já se passou, voltemos agora para ver o resultado dos mimos que aquela mamãe estava fazendo no filho.

Um lago espelhando o céu azul com algumas nuvens de formatos duvidosos ocupa grande parte do terreno do castelo encantado. No terraço pode-se ver algumas celebridades, como o patinho feio e o menino de rua do Pepe Moreno. Aquela senhora que outrora segurava um cipó agora tem em uma mão uma taça de champagne e na outra o ombro do menino, que mais do que nunca parece uma jaca. A mulher sorri enquanto tagarela para uma outra, dizendo…
- Pois é, o Murilinho aqui tirou 10 em todas as matérias sem eu nem precisar ensinar nada pra ele! O menino é um prodígio! Sou a mãe mais orgulhosa do mundo, meu filho aprende tudo na escola, até o dever de casa ele faz sozinho, some por alguns minutos e volta com ele pronto! Ao contrário do que eu soube do seu filho, o Juninho, que ficou de recuperação em 7 matérias mesmo você esmurrando o pobre toda tarde…

Acorde, jovem imprudente! Voltemos agora ao mundo em que você vive.
Como você teve o prazer de ver tendo eu em sua companhia, a mamãe que ama muito a sua prole queria que o filho fosse perfeito, chegando ao ponto de surrar o pobre inocente e incapaz apenas para que ele fosse um bom aluno. HAHAHA, mentirinha… ela fazia isso só pra poder se gabar pras amigas e esfregar nas caras delas que os respectivos filhos são tapados (ou, no meu ponto de vista privilegiado, mostrar que elas não surram em quantidade ou intensidade o suficiente…)
Ai ai, mamães sempre amam os melhores… a menos que haja um filho muito burro, aí elas terão mais afeto por este. Mas isso é assunto pra outro post…. até mais!

Presentinho Secreto

22 22UTC dezembro, 2009 Wolfgang Deixe um comentário

Estamos chegando no final de mais um ano, e todos vocês estão saltitantes pelos presentinhos do Natal. Sim, eu bem sei que nenhum de vocês está prestando atenção ou simplesmente sabe do que o Natal trata, mas vocês se importam com os presentes… seres previsíveis, perdoarei vocês mais uma vez pela falta.

Graças a essa sua fome consumista, tive a oportunidade de observar um dos eventos mais curiosos da cultura humana. Ainda não pude observá-lo em outras culturas além da brasileira, porque estava ocupado observando outras coisas que detalharei em outro momento.

O evento acima citado é, naturalmente, a cerimônia do Amigo Secreto. Ela mais uma vez exprime o que de mais estranho vocês têm: mal gosto combinado com cara de pau e altas doses de cinismo e redundância.

Vejamos a cena de hoje, observe as falas primorosas de cada uma das personagens.

Na véspera de Natal, pouco antes do Papai Noel sair de sua garagem com as renas, as pessoas se reúnem na sala de estar de suas casas. Estão todos em um clima descontraído, rindo uns dos outros. Chegou a hora que esperavam, porque por alguma razão elas acham divertido o clima de suspense. O que cada um irá ganhar? Quem presenteará quem? Elas logo descobririam.

O patriarca da família se levanta com o presente na mão e pigarreia, anunciando que esta era a hora. Ele então começa o seu….

Discurso

É um dos momentos com possibilidades de resultados catastróficos mais altas. Nela normalmente o interlocutor dá pistas sobre quem ele vai presentear. Ele usará pistas genéricas (e até mesmo ambíguas, se me entende) para revelar, até que ele dirá algo do tipo “meu amigo secreto pegou um chifre esse ano…” e dará uma risada gostosa esperando que todos deem uma também. Citar a infidelidade não é lá uma maneira muito amistosa de indicar alguém, seria o mesmo que dizer “o meu amigo é um corno baitola, cuja mulher é que nem maçaneta de quartel”, só que mais sutilmente. A possibilidade de ele ter dito isso com requintes de crueldade é muito alta, o que levará o presenteado a chutá-lo dali.

“O meu amigo é um cara muito legal, esse ano ele trocou de emprego e finalmente se casou…”

Tradução

O meu amigo é um pé no saco, foi demitido esse ano e engravidou a namorada…”

Logo após ele entregar a rapadura e informar a todos quem ele vai presentear, vem a parte do “Ai que surpresa agradável!” que soa mais a “Aff, esse cara é pão duro pra caramba, o meu presente deve ser uma droga”. O sorteado se levanta e dá uma abraço no presentador, o olhar furtivo para o tamanho do pacote e para a embalagem para ver se o presente é de marca passa despercebido aos parentes menos atentos. E aí vem a..

Cantoria

As mulheres e crianças irromperão no canto idiota de “abre! Abre! Abre!” e os parentes terão o prazer de observar a expressão de angústia no rosto de quem deu o presente. Pela sua cabeça passam os pensamentos de “será que ele gostou? Será que ele vai esfregar na minha cara que eu sou mão de cutia assada? Será que minha vida social será terminantemente destruída? DEUS!”. O presenteado abrirá o pacote com um sorriso de orelha a orelha (lembrando que esse tipo de sorriso normalmente não significa felicidade…) e o sorriso se desfará quando ver um par de sandálias Mikalce enrolado em jornal por baixo do papel dourado.

Cara de pau

“A-D-O-R-E-I”

Tradução

“FILHO DE UMA *****, EU TE PEGO SEU SAFADO INFELIZ!”

É por isso que eu acho que ser ator não deveria ser considerado profissão. Afinal, todo mundo sabe mentir assim como sabe respirar.

“…How how how! Não se metam a besta, crianças, presente ninguém dá como o Papai Noel!” Srº Nicolau e suas renas.

I’m sick of this monster monster….

=]

A incrível história do Boto Cor de Rosa

15 15UTC dezembro, 2009 Wolfgang 1 comentário
(Da série “A Origem das Coisas”)
Era uma vez um pescador
Que, claro, estava a pescar
Um dia um boto ele pegou
“Mas que azar que vou ficar”
Mas não muito longe dali
Estava um ecochato a banhar
Pulou lá longe quando viu
O pobre pescador a pescar
“Quem você pensa que é
Para os botos você levar?”
“Eu sou um pescador, sô
E boto não quero pescar”
“Então me explique o porquê
Desse boto pescado estar”
“Foi sem querer meu sinhô
Não viu onde foi se enrolar”
O biólogo então entendeu
Que não foi bem por querer
Percebeu que não tinha culpa
Isso tinha que acontecer
Levou o bicho pro centro
De pesquisa da faculdade
Teve que tratar das feridas
Era muita a gravidade
(Enquanto isso, o pescador
Se safou do rolo que seria
Se o IBAMA pegasse ele
Com a boca na botija)
O boto foi se recuperando
Cada dia estava mais forte
O biólogo teve uma ideia
Este era o dia de sorte
Ele então saiu doido
E procurou até encontrar
Uma boto muito charmosa
Pro boto enfim namorar
Mas o ecochato não viu
(Ou simples: não quis acreditar)
Que o jovem boto nada queria
Com fêmeas não queria cruzar
Depois de um tempo não teve jeito
O boto pro rio todo serelepe voltou
A pobre fêmea muitos dias não comeu
E morreu, porque muito por ele chorou
E o boto foi nadar onde gostava
Nas praias de Itaituba
Encontrou os amigos e brincava
Afundava e fazia borbulhas
E a vida o boto foi aproveitando
Até que um dia ele se transformou
Numa coisa totalmente diferente
Agora era humano, quase afogou
Percebeu que podia sair da água
E ir para as festas na beira do rio
Não perdeu tempo, correu depressa
Pra dançar no forró do Tio
Chegando lá as moças repararam
Em como o desconhecido era bonito
Ele não perdeu tempo, pegou logo uma
E dançou até os pés ficarem feridos
Mas quando a moça o levou pra um canto
Mais reservado do salão de festa
O boto nada quis, saiu logo de perto
A moça pensou que era magrela.
O boto voltou para o rio
E a transformação sumiu
Nadou sem rumo, confuso
“Vão tudo pra **** que *****”
Ele depois percebeu
Que com ele era diferente
O negócio não eram as fêmeas
Era macho, minha gente!
Esperou ansioso a próxima vez
E ela finalmente chegou
Nadou para a beira do rio
E logo se transformou
Não foi difícil pra encontrar
O lugarzinho escolhido
O acolheram bem, você sabe
O cara até que era bonito
Ele passou a noite dançando
E saiu de lá muito feliz
Na lembrança coisas boas
Parou em frente à Matriz
Se sentou e uma voz ouviu
“Boto baitola aqui não fica
Cai fora, vai caminhando
Antes que te mostre minha ****”
O boto então saiu correndo
Com medo de levar uma facada
Ficou com tanto medo que jurou
“Nunca mais ando nessa praça”
E ficou desiludido da vida
Por muito tempo vagou
Se deixou pela correnteza
E não viu aonde chegou
Era uma praia bonita
De areia branca e brilhante
O boto sorriu dentro da água
Esperou a lua minguante
A lua desapareceu no céu
E o boto saiu todo faceiro
Parou logo no forró do Muído
E tratou de arranjar um parceiro
Um senhor que por lá estava
Achou que ele era formoso
Perguntou pra ele num canto
“Não quer ficar famoso?”
O boto ficou na dúvida
Não sabia como explicar
Falou que era um boto
E pro rio tinha que voltar
O homem ficou mais feliz
Era disso que precisava
Não importava que era boto
Importava era que dançava
O boto rápido aceitou
E foi pra uma reunião
Apresentaram a ele um moço
Que ganhou o seu coração
Quem era aquele rapaz
Que estava por ali?
Falaram que era um boto
E se chama Tucuxi
Começou logo o romance
Cartas de amor foram escritas
Mas um dia houve uma briga
E sobraram as feridas
Os botos então começaram
Uma disputa sem razão
Organizaram uma grande festa
Pra causar uma comoção
O povo todo apareceu
E o público se dividiu
Era uma disputa sem igual
Como ela nunca se viu
Os botos se balançavam
O de rosa dançava com engenho
O Tucuxi não ficava atrás
Pois ensaiara com empenho
Queriam ver quem era quem
Queriam saber quem era o melhor
Queriam mostrar um para o outro
Que vencia apenas um só
O público não se declarou
Era difícil a decisão
Sabiam o motivo da disputa
Era uma dor no coração
A plateia tomou as dores
Dos botos então brigados
Disse para se entenderem
E os dois foram obrigados
O de rosa pediu desculpas
Mesmo pensando não ter culpa
O Tucuxi perdoou na hora
Não resistia à uma desculpa
Os botos então terminaram
O joguinho sem razão
O público pediu bis
Foi boa a apresentação
Eles prometeram voltar depois
Quando se assasse o tracajá
Estariam sempre em Santarém
No sudoeste do Pará
O final todos conhecem
Todo mundo já ouviu
Os botos ficaram famosos
Até mesmo fora do Brasil
Até a próxima!
=]

A Produtividade de Pandora

4 04UTC dezembro, 2009 Wolfgang Deixe um comentário

Antes de mais nada quero dizer que este post é um teste de eficiência e organização. Eu li há alguns dias um post da Bia Kunze sobre organização e eu resolvi experimentar (aconselho a todos fazerem o mesmo!). Segundo o post é possível aumentar a produtividade, e como tive que tirar umas teias de aranha daqui antes de conseguir postar alguma coisa, botei em prática o método levemente alterado por mim.
Como podem ver, ele já está dando resultados, porque esse já é um post novo =]
Então vamos ao segundo tema do post: Pandora.
Pobres leitores desse blog, que gastam seu precioso tempo lendo minhas sábias palavras, saibam que vocês não encontrariam nada melhor pra fazer, portanto sejam felizes. Lhes contarei agora segredos insondáveis que durante muitos anos guardei, confesso que por medo de sua curiosidade que sempre leva à violência contra seres superiores (vide os aliens da área 51 que vocês esquartejaram).

…numa casinha no meio do mato

…nesta mesma galáxia em que vivemos agora, um deus de um mundo antigo chamado Zeus teve uma filha chamada Pandora. Eis que ela era a primeira filha, e como ele ainda era iludido com a paternidade e achava isso uma coisa boa, cobria a filhota de presentes cuticutis. Até que um dia ele deu a ela um colar mágico, que ela achou superfashion.
Ela então arranjou uma caixa pra guardar o colar, essa caixa servia para guardar sentimentos para que o dono sempre se lembrasse deles. O que Pandora não sabia é que a caixa não poderia guardar itens materiais, e que ao guardar o colar nela, ele se destruiria. Como o colar era muito importante, ela fez chuíf chuif por muitos dias sem parar.
Zeus, já muito desgraçado da vida com Pandora que não parava de chorar nem um minuto no pé do seu ouvido, arranjou um mortal trouxa pra casar com ela, cujo nome era Epimeteu (hmmmm…). Ela se mudou pra casa do infeliz com a caixa e tudo.
Mas o terrível efeito da caixa estava presente, e ela nunca conseguia deixar de estar triste. Então um belo dia ela finalmente não aguentou e se matou, ouvindo muitas horas de Calipso por dia.

Vai procurar uma internet que presta, rapaz!
Cuidado: ela tá em depressão e tem uma caixa

Vou falar-lhes agora de um dos maiores mistérios da humanidade, que nenhum de vocês, claro, conhece: a minha origem.
Sim, porque todos nós, entediados pela vida imortal, gostamos de contar histórias, é a única coisa que nos faz passar o tempo… rumo ao tempo sem fim. Não espero que você tenha entendido, afinal, você é apenas um nerd que está lendo isso aqui. Ah, eu sou um imortal mais descolado, que também gosta de observar como vocês são esquisitos e posta tudo num blog.

Vai procurar uma internet que presta, rapaz!
Barbudo e metalúrgico. Lembra de alguém?

Um belo dia Epimeteu (hmmmm de novo) não se aguentou de curiosidade e abriu a caixa da Pandora. Como ela era uma mulher da vida muito conhecida, tinha de tudo dentro dela, e desse tudo, quase tudo capou o gato da caixa – tudo quanto é desgraça que tem na sua vida hoje, saiu daquela caixinha, vou parar um minuto esperando você parar de xingar o pobre Epimeteu.
Mas onde eu entro nessa história? Muito simples: Ela tinha uma namorado chamado Narciso antes disso tudo, na caixa havia a lembrança da beleza dele – que, sejamos sincero, era um verdadeiro d-e-u-s g-r-e-g-o (mas isso é uma beeshooona! Na verdade ele era um mortal tapado feito você, porém incrivelmente narcisista, como você de novo). E a permanência confinada dessa lembrança com o amor que ela sentiu por ele, com a sabedoria adquirida com Palas Atena, com a força de Hércules e o poder de Zeus acabou gerando um ser que estava acima de todas essas coisas bobas que estavam ao seu redor, e você está lendo palavras escritas pelo própria agora.
Como mais explicar minha beleza fenomenal, minhas fartas sabedoria e força, mais o meu poder supremo de persuasão? Só isso é capaz de explicar tamanha perfeição num único ser. E, sim, eu me acho humilde =]

Apenas esperem pra ver
=]

Aquele do bolo com cobertura de ovo

27 27UTC outubro, 2009 Wolfgang Deixe um comentário

Meus fiéis leitores, não sabem o sofrimento e a angústia a qual fui submetido nesse final de semana. Tive que comparecer à uma festa de aniversário de criança… pobre! Argh, ao me lembrar daquelas musiquinhas da Xuxa meus ouvidos clamam pelo suicídio. Como não poderia deixar de ser, examinei cuidadosamente cada aspecto do evento, e abaixo está listado os itens que tive o enorme desprazer de presenciar ou que estiveram presentes em outras festinhas em que estive.
A Mesa
Os pelos da minha nuca arrepiaram-se nesse instante. Lembro de que, ao subir as escadas para o terraço onde a festa era (sim, na laje, santo Deus) dei de cara com a mesa onde o bolo estava. Nesse tipo de festa, sempre tem um bolo no centro da mesa, uma multidão de brigadeiros multicoloridos ao redor e, com sorte, garrafas de refrigerantes Guri nas laterais próximas às respectivas pirâmides de copos descartáveis.
A Decoração
Atrás da mesa com os quitutes da festa, sempre há um painel onde está escrito “Parabéns Rudinelson” em uma paisagem duvidosa da Branca de Neve rodeada de borboletinhas. Ao redor do painel há uma trança de balões coloridos, onde uma das extremidades sempre fica maior do que a outra. Nas mesas onde os convidados esperam pacientemente a temida “hora do parabéns”, as cadeiras de metal pintadas de branco e enferrujadas dão todo aquele charme. Nelas também existem os “arranjos” de balões e outras coisas feitas de EVA pela sobrinha da vizinha.
A Caracterização
Alguém já foi em festa de criança onde não foram distribuídos aqueles cones pra colocar na cabeça? Por mais diabólico que aquilo seja, os pimpolhos adoram o elástico roçando no queixo e enrolando nos pelos próximos das orelhas. Também são distribuídas as simpaticíssimas línguas-de-sogra, que as crianças ficam soprando sem parar na orelha dos poucos adultos civilizados que permanecem sãos.
Um calafrio perpassou minhas costas.
O mais irritante dos penduricalhos distribuídos às nossas amadas criancinhas de Jesus é aquela cornetinha de plástico. Assim que o cérebro confirma contato visual com uma daquelas, ele dispara uma onda hormonal na corrente sanguínea delas levando uma só ordem: ENCHER O SACO. Elas então saem pululando feito pulgas esvaziando os pulmões naqueles troços que, se o diabo era músico no céu, eram o instrumento favorito dele.
Isso me leva ao…
Comportamento
Crianças veem em uma festa de aniversário a oportunidade perfeita para executar a função vital de suas existências: APORRINHAR. Elas sabem que nesse ambiente, qualquer diabrura será vista como “Ah, eles são crianças, isso passa” e aprontam de tudo. Tenho pena da senhora mãe do aniversariante quando vê o Juquinha pendurado na cortina com as mãos sujas de chocolate. Cortina essa que ela pagou em 18 vezes no carnê.
Uma olhada rápida no fluxo de pessoas na festa revela que:
5% são responsáveis pela comida e estão fazendo o seu trabalho
10% são parentes, estão zanzando para garantir que ficarão por dentro das fofocas, como a vizinha Milourdes que não sabe comer sem mascar a carne de boca aberta.
85% são crianças correndo, dividas em:
0,1% estão indo em direção aos pais dizer que estão se divertindo de maneira saudável e educada.
99,9% são demônios devoradores que consomem qualquer coisa doce que apareça e derrubam qualquer garçom que esteja com a bandeja cheia de pratos feitos.
Comida
Para as crianças tudo se resume a guloseimas que vão causar dor de barriga e atiçar as diabetes e lombrigas suas e das gerações futuras.
Para os adultos é sempre a mesma coisa: aquele vatapá apimentado onde dá pra contar os camarões nos dedos e com arroz frio.
A Fatídica “Hora dos Parabéns”
Os convidados se espremem ao redor da mesa, do lado de lá estão apenas os pais e irmãos do aniversariante. A agitação tomava conta dos corações presentes, podia-se sentir o cheiro no ar. O Joãozinho olha para a multidão à sua frente, ele reconheceu o infeliz que sempre lhe esmurra na escola e a mãe pensa que eles são amigos, reconhece a tia Vitorina cutucando o nariz e limpando no vestido novo da filha. Era esse o momento.
Mãos se erguem no ar, afastam-se umas das outras e alguém puxa o “Parabéns pra você…”. O aniversariante fica sem saber o que fazer. Cantar? Bater palmas? Mas aquilo é pra ele, não pode fazer essas coisas… fazer o quê? O mesmo pensava o seu irmão mais velho, naquele instante fazendo muitos cálculos de probabilidade.
Mas de repente tudo acaba. Finalmente o momento de angústia acabou, ele se inclina para soprar as velas quando o infeliz do tio Raimundo começa a cantar o “É big, é big, é hora é hora é hora…” e ele segura o fôlego pra próxima.
Quando tudo parecia, enfim, terminar. Ele respira fundo e novamente o tio Raimundo grita, dessa vez “Viva o João!” e todo mundo repete “João, João, João” enquanto ele sopra a vela.
Só não contava que o seu irmão ainda possuía resquícios de infância no seu coração, e que por consequência, possui a habilidade de praticar os atos mais infames nas horas mais indevidas. Ele agarra a nuca do irmão e empurra a cabeça do garoto no bolo.
Depois de uma risada diabólica, ele pega fôlego e diz:
RRRRRRÁÁ! PEGADINHA DO MALANDRO!!!
E antes que alguém pergunte, sim, eu vi nas Videocassetadas.

Depois que morre, todo mundo é gente boa

21 21UTC outubro, 2009 Wolfgang Deixe um comentário

Este é mais um dos meus infinitos posts baseados na observação dessa sociedade em que fui obrigado a viver quando nasci. Infelizmente não posso viver isolado, e mesmo que pudejhsse, não teria graça se não pudesse rir das bobagens que vocês, pobres mortais, acham importantes e até indispensáveis.

Dessa vez observei que todos vocês, tão sociáveis e usuários das mentirinhas inocentes, são capazes de dizer as maiores lorotas da história diante do cadáver do seu inimigo mortal.

Cena-prova 01

Vocês se conheceram ainda na escola. Ele colocava a perna pra você cair no corredor, colava chiclete no seu cabelo, dava peteleco na sua orelha e baixava as suas calças na frente de todo mundo, enfim, era o capeta.

Depois de crescer, você acabou sendo empregado por ele. Não ganha vale transporte nem alimentação, as suas férias são de duas semanas por ano e você pega esporro todo dia no trabalho.

E um dia, o seu querido chefe tem um troço e morre.

No enterro todos choram.

Pedem pra você fazer um discurso.

E você diz:

- Ele era um homem bom.

Sinceramente, me sinto uma pessoa completamente estranha ao testemunhar uma cena como essa. Não sei de quem é a culpa, mas vocês sempre se comportam assim. Por que mentir? O cara já não está morto? Pode ainda fazer alguma coisa contigo? Então a cena correta seria:

ATENÇÃO: a cena a seguir contém altas doses de dramaticidade e violência, se você tem coração fraco e imaginação fértil, prossiga!

Era uma tarde chuvosa, gotas escuras e frias caíam sobre a pele dos presentes. Muitas cruzes, pedras frias. A viúva chorava fazendo snif snif jogada sobre o caixão do ex-marido. Flores molhadas começavam a feder na atmosfera insuportável.

As pessoas gemiam, compadecidas da pobre viúva que se lamentava tão alto que mal se ouviam as palavras do padre. Eles se amavam tanto, ela ainda não acreditava que ele morreu. Tão jovem, a viúva pensava que nunca mais amaria daquele jeito.

Mas de repente ouve-se uma voz bem mais alta do que todas as demais.

Todos os presentes olharam para o mesmo lugar para ver a pessoa que se aproximava e abriram espaço para ela passar. Era uma loira muito bonita, que apesar da chuva e da ocasião estava vestida apenas com um short apertado e uma blusa que mostrava a barriga.

As pessoas apuraram os ouvidos pra entender palavra por palavra. A presença daquela mulher era tão estranha que até o padre e a viúva pararam pra olhar.

A mulher se aproximou do caixão, olhou bem na cara do defunto, e disse sem meia palavras:

- Seu infeliz do satanás! Juro que se tua viúva não me pagar a noitada de ontem ela vai ser a próxima a empacotar! Ou isso ou não me chamo Joaquim!

Todos se entreolham.

Ninguém mais se compadece do morto.

E a verdade surge.

- Ele morreu me devendo 150 paus! Gritou um lá do fundo

- O cretino tá me devendo o aluguel!

- Ele disse que ia dar pra mim de novo! Sussurrou alguém no meio da multidão.

(And it goes on forever…. mortais, mortais).

PÇ #01 – Coisemos as Coisas

23 23UTC setembro, 2009 Wolfgang 1 comentário

Olá a todos!

Desculpem a longa espera por este post, mas peço que não comecem a lê-lo com intensa empolgação porque, quem vai com muita sede ao pote acaba bebendo lama.

Antes de começar a falar sobre o assunto em si, quero explicar o código diante do nome do post. Trata-se do seguinte:

Minha cabeça foi corrompida pelo Twitter, de maneira que minha criatividade se limita a poucas palavras, não consigo mais escrever textos longos mantendo a coerência.

Então, o que seria melhor? Textos mais extensos que perdem na qualidade ou texto mais concisos (porém bem maiores que 140 caracteres) que conseguem se manter lógicos?

Eu decidi então criar as Pérolas de Çabedoria (sim, você leu certo). Posts mais curtos, que expressam o que tenho a dizer de maneira mais rápida sem (muita) enrolação. Ah, o #01 indica que é a primeira PÇ (nossa, você já deduzia isso? Você é um gênio!).

Textos mais longos serão postados mais esporadicamente, porque eu ainda vou tentar me livrar dessa coisa medonha que é o Twitter.

Então vamos lá!

Esse post pode ser entendido como uma continuação do Pobre é Uma Desgraça, porém voltado para a linguagem, não mais dos outros hábitos ridículos. Leia o seguinte diálogo com atenção:

- Você coisou?
- Coisei.
- Mas e aí? O coiso foi bom?
- Meu amigo, coisar é a melhor coisa do mundo, ainda mais quando não se coisa sozinho como eu fazia.
- É mesmo! Coisar é muito legal.

Entendeu? Não?

Pois deveria, porque isso é coisa (aaaargh!) de pobre!

Vejamos:

A pobreza é algo que atinge todas as áreas da vida, não ficando isolada apenas à falta de dinheiro (lembre-se: pobreza se espalha como tinta preta na água), o que acaba por afetar também o vocabulário do indivíduo portador da pobreza.

O vocabulário fica tão pobre que a pessoa se vê obrigada a usar os substantivos e o verbo coringa da Língua Portuguesa (que graças a Deus, tem muitas, muitas palavras que podem ser usadas). Então o infeliz não conhecedor delas (ou afetado pela pobreza) usa a coisa/coiso/coisar para simplificar a vida.

Mas aqui está um segredo: tudo está no contexto. Se você ver dois pobres conversando e quiser entender o que eles dizem (mas lembrando de manter-se afastado, porque pobreza se pega pelo ar) fique algum tempo por perto e substitua a coisa/coiso/coisar pelas palavras devidas. Vamos rever o diálogo acima, tendo como contexto uma dança:

- Você dançou?
- Dancei.
- Mas e aí? A dança foi boa?
- Meu amigo, dançar é a melhor coisa do mundo, ainda mais quando não se coisa sozinho como eu fazia.
- É mesmo! Dançar é muito legal.
Uma mente poluída interpretou o primeiro texto com conotação sexual, que eu sei!
Bem, por aqui acaba a PÇ #01, até mais!

O poder de um palavrão

8 08UTC setembro, 2009 Wolfgang Deixe um comentário

O palavrão é uma palavra chula e feia. Crianças, nunca digam palavrões. Não porque são feios e chulos, mas porque detêm poderes inimagináveis para vocês cujas mentes mortais não são capazes de entender mas sob os quais estão (que começo bonito).

Como não quero fritar seus cérebros primitivos com informações divinas esparramadas sobre vocês, vou desenvolver o assunto paulatinamente (vocês não têm a mínima ideia de como eu detesto essa palavra).

Com vocês, o palavrão, merda.

O palavrão quando usado de maneira dosada, tem grande poder de persuasão. Principalmente se ele vem de uma boca que não tem o hábito de proferi-los.

Cena-Prova:

Sua vovó, aquela santa que aos 86 anos de idade ainda queima as mãos fazendo bolinho de chuva para um marmanjo como você, nunca diz nada além de palavras sábias que a idade lhe proporciona.

Uma bela tarde você está esparramado como de costume no sofá assistindo televisão na casa dela, ela pede que você vá à banca do seu Manel pra comprar papel higiênico.

Você dá aquela coçada no saco e diz que “agora não dá, vai passar o filme da Barbie na sessão da tarde”

A velhinha pensa: “Quem é esse infeliz que pensa que vou ficar fazendo os gostos dele enquanto não posso nem limpar a bunda?” Ela chega bem perto, te agarra pela orelha, te ergue acima da cabeça dela e diz:

-Vai logo, filho de uma ****! (Jesus não gosta de palavrões).
- Tá bom, vovó.

É fato que você vai correndo. O palavrão dito sem nem mesmo um pingo de hesitação demonstra toda a fúria da velhota e a canaliza direto para a sua cara assustada, não há escapatória.

Ouçam minhas palavras divinas, crianças. O poder de um palavrão, é a persuasão.

Embora meu conhecimento se estenda rumo ao infinito, não tenho certeza se essas palavras ditas por minha pessoa vão ajudá-los. Isso se deve às suas cabeças ocas, que vão experimentar minhas filosofias em situações totalmente fora de contexto – e, com perdão do bom vocabulário, vão se ***** (Jesus não gosta de palavrões).

Cena-Prova 2:

Você trabalha como motoboy há anos, passa o dia todo correndo feito um louco e arrancando retrovisores. Anunciam que haverá uma promoção para taxista (uma raça mais nobre de trabalhadores) e vão entrevistar os interessados.

Você, claro, comparece.

Senta diante do entrevistador (e seu, quem sabe, futuro chefe).

Ele pergunta “Por que você quer ser promovido?”

E você diz.

“Porque eu sou *oda”.

O homem te olha.

¬¬

Ele te olha.

¬¬

!

No buteco mais tarde você diz que não sabe explicar onde foi que errou.

Quando comecei a escrever isso, fiquei na dúvida se deveria revelar o mais poderoso de todos os palavrões para que vocês não caíssem na tentação de usá-lo e dizimarem a humanidade em dois dias. Mas lembrei que não me importo com o que acontece com vocês, e por isso vou dizer.

Cena-Prova 3:

O Corinthians perdeu de novo só pra variar. E você torce para ele. Lá vem aquele seu amigo pentelho que por acaso é palmeirense → e o Corinthians perdeu justamente para o Palmeiras.

Inicia-se uma clássica discussão acalorada, embora a missa de sétimo dia da sua sogra não seja o lugar mais adequado para isso.

- O Corinthians é time de frutinha! Diz ele.

- Sou bem eu que fico agarrado no Pal… meiras que nem jabuticaba no pau! Você responde usando o trocadilho mais infeliz da Terra.

- AH!!! - segue-se um momento em que o universo inteiro para, uma brisa fria trás uma bola de cipós secos rolando pelo chão, a câmera gira em 360º e dá um close na cara dele – VAI TOMAR BEM NO MEIO DO SEU *.

Isso dito com a medida certa de raiva, sacudida de punhos e de saliva lançada na sua cara é capaz de calar até manicure. E o melhor é que você perdeu a razão completamente, sem nem ser necessário usar algum argumento válido!

Se amanhã eu vir que o Fidel deu um abraço no Obama, sei que usaram minhas palavras para o bem.

@wolfgang_br