Olá mais uma vez, meus pequerruchos.
Hoje vou mostrar pra vocês como foi o meu final de semana, não de maneira “blogger”, que só empilha um monte de fotos, mas usando-as apenas como ilustração deixando o texto como o principal, naturalmente.
Tudo começou com um convite para mais uma vez ser o “fotógrafo oficial especialmente vindo de Manaus para prestigiar o evento” (diriam dessa maneira no Focalizando). A diferença esse ano é que não apenas eu fui convidado, mas toda a família mais uns amigos da mãe da aniversariante… resumindo: a gentalha toda foi.
Assim sendo, não era necessário eu pegar um daqueles carros que fazem o percurso fim do mundo -> fim do fim do mundo (leia-se Itaituba – Trairão), pois meu pai é o feliz proprietário de um dos mais luxuosos veículos que circulam por esta cidadezinha, observe:

Lembram do Delorean?
Partimos então rumo ao Trairão sexta feira a noite, todos jogados em cima da carroceria felizes que nem mosquitos em manga podre. Infelizmente não tenho fotos desse momento de extrema excitação porque até então eu não tinha uma máquina fotográfica em mãos (você leu certo, eu ia tirar as fotos mas nem máquina eu tinha \o/). Mas saibam que foi a meia hora de travessia na balsa de Itaituba-Miritituba mais do balacobaco já vista.
Pois bem, chegando no Trairão nos hospedamos na casa da Valéria, a anfitriã. Vejam abaixo uma fotuxa dela com a aniversariante e o esposo.

A menina é a cara do pai....
Ah, mas como era gente pra caramba, os “expulsáveis” (leia-se qualquer um que não seja os meus pais e os pais do montoeiro de menino do buchão que foi) foram todos despachados para as casas dos parentes. Eu fui acabar na casa da mãe da Valéria, a Dona Salete. Eu não sei o porquê, mas todos a conhecem como Saletão, vejam a fotinha.

Amélia é o @4&$363! Meu nome agora é Saletão
Tenho agradáveis lembranças daquela noite que passei dormindo em um colchão estirado no chão, com calor porque todos os ventiladores estavam ocupados e acordando de cinco em cinco minutos porque um homem que também estava no aposento sofria de bruxismo e rilhava os dentes tão alto que parecia que estava mascando um balão. Eu citei os mosquitos? Acordei flutuando pela casa, os diabinhos estavam me carregando para o ninho (sim, eram tantos que tinham até ninho).
Continuemos. No sábado passamos o dia todo arrumando o local onde seria a festa. Era em uma escola, escolhida por causa do extenso pátio interno. Uma coisa que observei nos humanos é que eles são capazes de trabalhar muito, muito mesmo, e de graça, se tiver um clima de “mutirão”. Acho que isso remonta às origens pobres de cada um. Basta tocar uma música e começar a carregar cadeira de ferro com propaganda de cerveja que todo mundo fica feliz.
Olha o resultado super-fashion do esforço de um dia inteiro, observem que eu naturalmente estava certo naquele post que fala sobre festa de aniversário:

Reparem no desenho da Moranguinho....
Uma curiosidade sobre minha personalidade: Quando se trata de crianças, eu gosto muito dos meus primos de 4,5,6 anos e brincar com eles. Sério. Mas quando junta uma montanha de menino que parece que saiu de um buraco enlameado eu surto, dá vontade de matar um por um com um martelo, um saco de pregos compridos e uma tábua. Momento psicopata desligado. Qualquer um pensaria dessa maneira depois de ver isso pra brincar na tirolesa (sim, a festa tinha tirolesa, chorem).

Tio: Quem quer morrer primeiro?? Meninos do buchão: Eu! Eu! Eu!
E claro, a tirolesa:

Tio: Menos um pra me aporrinhar...
Eu não sou uma pessoa que gosta de se gabar, isso todos os meus amigos têm em consenso. Entretanto, as vezes é bom amaciar o ego, não é? Vejam essa foto e tirem suas próprias conclusões. Ah, os nomes são Fernanda e Ellen, respectivamente.

Eu sou mesmo irresistível...
E então a festa, graças a Deus, acabou. Fui pra casa dormir, tava acabadaço. Ah! Eu consegui uma câmera, o meu pai tinha levado uma sem me dizer.
No dia seguinte fomos fazer a nossa própria festa, porque, como deve ser sabido por todos que já organizaram uma festa, os únicos que se divertem são os convidados. Nunca me diverti em festa que eu estava envolvido na organização, sempre tem um refrigerante pra servir ou um maldito de um convidado vomitando no chão pra eu limpar.
Enfim, fomos para o fim do fim do mundo, o sítio pertencente aos pais da Valéria. Tirei umas fotos legais por lá, a primeira delas pra vocês terem uma ideia de como é lá está aí embaixo.

Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo....
Vocês podem ver que há um branco além da mata, sim, são as cascatas do fim do mundo. Mas sim, o que se faz num sítio? Come-se, ora bolas. Eu subi num pé de beribá e comi uns por lá… o que eu mais detesto aconteceu: um menino viu que eu tava comendo, chegou perto, me olhou com aqueles olhos pidões e disse:
Tio, sabia que eu gosto de beribá?
Eu olhei lá de cima e arremessei um beribá na cabeça dele, tendo isso resolvido, fui passear no brejo. Sim, brejo! É divertido, sempre tem alguma coisa para se ver e dessa vez não foi diferente:

E no reino das águas claras, o Príncipe Escamado.... Sítio do Pica-Pau amarelo...
Mas eis que tive uma experiência que aconselho a todos aqueles que se consideram homens de colhões a terem também. Estava eu passeando pelo brejo (eu sei, incrivelmente gay) quando os beribás finalmente começaram a fazer efeito: minhas tripas pareciam cobras dançando Ragatanga do Rouge, lembra? (GAY GAY). A saída foi procurar uma moita atrás da qual eu pudesse aliviar o ventre.
Encontrei a moita já com o menino quase nascendo. Só houve tempo para baixar as calças e o resto todo ser humano já sabe. Depois de terminado o serviço, olhei para os lados à procura de alguma coisa que pudesse terminar o serviço. Vendo que as folhas do arbusto eram muito aveludadas, meu senso ancestral apitou dizendo que aquilo dali poderia me causar uma coceira indevida e tracei outra tática.
Levantei as calças e saí andando de pernas abertas à procura de um lugar mais reservado do brejo, porque eu não havia levado outra roupa, então eu teria que tomar banho como vim ao mundo: pelado e muito gato.
Encontrei uma baixada rodeada de mato alto, não pensei duas vezes, tirei a roupa toda de novo e me joguei na água, morrendo de medo de ter algum bicho sondando minha sucuri (Jisuis). Essa experiência serviu como teste de sobrevivência, mais difícil do que passar uma semana largado no mato só com um palito de dente como utensílio pra tudo (vai dizer que andar cagado é mais fácil que isso?).
Não tirei foto do lavatório. Eu sei, foi um erro.
Voltei então para a sede do sítio para o almoço, veja aí como pobre comendo é a coisa mais bela de se observar:

Todos comendo os bolinhos de chuva da Tia Nastácia
Depois do almoço fiquei jogado por lá, muito tranquilo e satisfeito. Afinal, tinha sobrevivido a um dos testes mais difíceis que a natureza já aprontou para o ser humano e estava de barriga cheia de tanta carne de porco e galinha caipira que eu comi. Sabe quando você se deita sem camisa com as mãos atrás da cabeça, debaixo de uma árvore e não tem barulho algum além do vento? Pois é:

Tô com preguiça de escrever alguma coisa aqui
Mas como a alegria de sábios dura pouco, isso acabou rápido, MUITO rápido mesmo. Alguns segundos depois que tirei essa foto, me levantei para ir ao banheiro (dessa vez era só o número um) e enquanto eu passava pelo lado da casa, que é rodeada por uma área grande, fui alvejado com um caroço de jambo direto na minha cabeça. Segundo a autora do disparo, foi sem querer, mas tenho lá minhas suspeitas… Pois bem, tirei uma foto do bendito caroço que me deixou um ”gondó” na testa.

Projétil usado no atentado à minha inteligência
Depois de ir ao banheiro, já meio fulo da vida. Fui espairecer. Subi em um morro com a câmera e tirei umas fotos de lá de cima, ficaram boas, olha algumas

Looooooooooonge dali habita a civilização

Eu gritei: Montanha baitola! E o eco veio "Athoron Perigon!"

Reparem na gota de suor. Mulherada, contenha-se.
Depois de todas essas peripécias eu voltei pra casa da Valéria, me despedi de todo mundo e voltei pro fim do mundo, que convenhamos, é mais perto do mundo do que o fim do fim do mundo. XD.
Até mais!
